quinta-feira, 10 de julho de 2008

Night Cruise

No outro dia fui beber café com um amigo, também bem conhecedor do mundo das viagens.

Falei-lhe nas minhas férias e no meio do relato de alguns episódios engraçados que aconteceram no cruzeiro, surgiu-nos uma ideia muito vanguardista, apesar de não ser inédita.

E que tal fazer um cruzeiro à noite no Mediterrâneo?

Esta ideia surgiu para combater um dos pontos mais negativos de se fazer um cruzeiro: é que conhecermos as cidades de dia, mas, como o barco navega durante a noite, temos sempre de embarcar por volta das 18H00/19H00 e assim, nestes moldes, nunca temos possibilidade de conhecer a noite das cidades europeias.

O Nigth Cruise, faria o contrário: navegava durante o dia, desembarcava nos portos de cada cidade por volta das 19H00/20H00 e o embarque teria de ser feito +/- por volta das 12H00/14H00, dependente do destino.

Cada passageiro teria de ter uma pulseira identificativa para que não corresse o risco de perder o embarque do cruzeiro, porque já sabemos que à noite há sempre quem exceda o álcool, assim, uma hora antes do embarque, seria enviado um género de uma mensagem vibratória (sim, teria de ser vibratória, não tivesse o passageiro a dormir algures no passeio do Mykonos), de forma a acordar/alertar o passageiro para embarcar.

Dentro do cruzeiro, cada divisória teria de ter um bom sistema de som, umas boas colunas, um bom DJ que agradasse a todos: na piscina, nos vários bares, no casino, e em algumas salas até poderia ter uma música mais relax. Este tipo de cruzeiro teria também de ter a sala do sono, que seria a sala de recuperação das ressacas. Aqui, os tripulantes ofereciam massagens ou qualquer outro serviço ‘zen’.

Claro que o serviço de refeições e bebidas estariam incluídas. Os clientes apenas teriam de comprar, caso quisessem, as excursões do cruzeiro.

As excursões poderiam ser os City Tours By Night, um Jantar num determina do restaurante ou entradas para determinados bares/discotecas, com oferta de um consumo mínimos de 10 €, por exemplo. Depois também haveria quem pudesse ficar no cruzeiro a ver as estrelas ou um bom filme nocturno...

E agora a questão habitual, colocada por todos os clientes que nunca fizeram um cruzeiro antes, e não têm a mínima noção de como tudo funciona: “E o que é que fazemos durante o dia no cruzeiro?”

Durante o dia, podem fazer mil e uma coisas: as senhoras têm a possibilidade de ir ao centro de beleza para se prepararem para a Night. Como em qualquer cruzeiro, esta também teria cabeleireiro, workshops para aprender a maquilhar, manicure, pedicure, etc. Teria as habituais lojas para as comprinhas de última hora. Os senhores teriam o ginásio ou o workshop de fotografias; e teriam o centro de SPA com o jacuzzi, banho turco, sauna e a grande piscina exterior, com as suas espreguiçadeiras à volta – este espaço também seria ideal para recuperar da noite.

Seria um sucesso...


domingo, 29 de junho de 2008

Os Cognomes

Desde à muitos e muitos séculos atrás, tornou-se um hábito dar cognomes aos reis de Portugal e arredores. Inicialmente, o cognome era o terceiro nome com que os cidadãos romanos eram conhecidos. Não sei ao certo como tudo evoluiu, mas ainda hoje em dia são ultilizados cognomes, apesar de se lhe dar outro nome, mais conhecido por alcunhas. O ponto em comum que possa existir entre a alcunha e o cognome é que, já no tempo dos romanos, muitas das pessoas eram conhecidas só pelo seu cognome. O mesmo acontece com as alcunhas.

De certo modo, até estou muito contente por esta evolução dos tempos: detestaria ser conhecida pelo meu terceiro nome, o que não faz nenhum sentido, já que tenho um primeiro e um último nome engraçadito (para quê estragar a reputação?). Assim como assim, até preferia que me continuassem a chamar Joaninha, como têm feito até hoje.

Joaninha não é um alcunha, é um diminutivo, e reparando bem, durante toda a minha vivência escolar, nunca tive uma alcunha. Fui sempre conhecida pela Joaninha... De tal forma que até já me habituei e estou convecida que irei chegar aos 30 anos com certas pessoas a chamarem-me Joaninha. No entanto, só mais recentemente é que consegui ter uma alcunha válida, aliás, duas (não as divulgarei por amor-próprio e bom senso, claro).

Bom, esta conversa toda surge porque hoje, numa interessante conversa telefónica, surge uma certa curiosidade em relembrar o cognome de dois dos nossos reis de Portugal:

- O primeiro assinalou o inicio da 2ª Dinastia – a de Avis – e assinou um dos tratados mais importantes para Portugal, assegurando o inicio de uma das ligações que se têm mantendo (apesar dos diferentes moldes), até aos nossos dias, o Tratado Luso-britanico de Windsor. Foi um reinado marcado por enormes renovações, e deixou a todos a Boa Memória de um bom reinado. D. João I, O da Boa Memória.

- O segundo, foi o grande explorador da era das descobertas e dedicou grande parte do seu reinado à politica da exploração atlântica. Foi no seu reinado que os Descobrimentos Portugueses tiveram maior relevância, tornando-se no perido de maior importância para Portugal. D. João II, O Príncipe Perfeito pela forma como exerceu o Poder.

Também eu conheço o João I e o João II. A comédia das cuincidências é que, até mesmo passado séculos, mesmo depois dos cognomes passarem a ser conhecidos como alcunhas, os cognomes/alcunhas continuam válidos para os Joãos que conheço: o João I é o da Boa Memória, porque “deixou a todos a Boa Memória de um bom reinado”; o João II é o Principe Perfeito, “pela forma com exerceu o seu poder”.

Se quisermos ir ao extremo da divina comédia, também temos uma Joana I! Só que a rainha Joana I - considerada muito bela e inteligente -, não foi rainha de Portugal, mas sim de Castela. O cognome dela era... a Louca.

Vai-se lá perceber estas coisas...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Banho de Espuma

Hoje decidi substituir o habitual treino no ginásio por um banho de espuma.
Derrepente lembrei-me que não o fazia à anos... e o melhor é que parte do efeito que o banho de espuma provoca é o mesmo que ir ao ginásio, sem ter que suar e sem ter que pagar qualquer mensalidade; é só encher a banheira, água morna, um bom gel com perfume a morango e mergulhar numa hora de qualidade. Depois, é quase como tivesse corrido na passadeira: descontracção total!

O engraçado de tudo é que durante este tempo de qualidade dedicado a nós próprios, passa-nos pela cabeça os mais variados temas e situações ou acontecimentos da nossa vida mais recente.

Lembrei-me que, num dos meus pensamentos, as pessoas reservam sempre grandes expectativas em relação ao novo ano que virá "este anos é que vai ser!". Vai ser o quê? Os impostos vão aumentar, o combustível vai ficar mais caro, aumentos de ordenado, nada... É sempre uma promessa inconsciente de algo novo, de uma mundança, só para nos sentirmos melhor e para não sentir o tempo a passar ou, talvez, para não sentir tanto o nosso próprio envelhecimento.
A realidade é que nada muda, e pouco há a melhorar. É uma ideia pessimista, mas é verdade... é raro quando o balanço de um ano é positivo quando comparado com o anterior. Claro que isto acontece, porque temos a tendência de enfatizar o que houve de mais negativo, mas há sempre mais acontecimentos negativos que positivos durante o ano (ou é isso, ou sou só eu que tenho tido azar!).
Devo dizer que este meu ano não começou da melhor forma... decisões dificeis de tomar (provavelmente a mais dificil que tive de tomar até hoje), momentos que marcaram bem esta minha cabecinha aluada e que me fizeram aterrar à terra e pensar em muitas questões, questões e mais questões. No entanto, seguiu-se logo uma viagem que me fez esquecer temporariamente tantas questões (as viagens provocam esse efeito em mim).
De qualquer forma, acho que já aprendi a lidar bem com tantas surpresas indesejadas que vão aparecendo durante a vida e acabo, essencialmente, por viver um dia de cada vez e, se nun desses dias até está a correr bem, então páro, respiro, vejo e absorvo esse bom momento, essa boa energia, porque mais tarde irei mesmo precisar dela.
Entretanto, depois 200 mil decisões tomadas, de 300 mil maus momentos e de 90 bons momentos, já vamos a meio do ano...

Agora é esperar para ver como é que vai acabar o ano! Pode ser que até lá, vá tomando mais banhos de espuma para acalmar a vida... e o coração.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

De volta!


Caros (as) leitores (as),

Estou de volta!
Estas foram, de longe, as melhores férias que tive até agora.
Não são todos os dias que se visitam 8 cidades diferentes em 5 países distintos, num periodo de 15 dias! No entanto, apesar de todas as aventuras, novidades e disparates que poderia descrever aqui, por agora, vou só deixar aqui um beijão aos meus amigos que puderam partilhar comigo esta experiência...

Miga, nunca me tinha apercebido bem o quanto somos parecidas na forma de viajar. São coisas dificeis de descrever, mas é raro quando encontramos alguém que pensa exactamente o mesmo que nós nas mais pequeninas coisinhas (e que ande tanto como nós!). É uma afinidade tão presente, que nem tinha reparado que existia naqueles outros fins-de-semana que passávamos por aí.
Esta é uma experiência que quero repetir contigo.
Conseguiste aturar o meu mau despertar durante 15 dias seguidos, mesmo depois da ressaca de uma noite mal dormida (2h00 de sono?), seguido de um concento espectacular - momento esse que também não o passaria, se não fosse a tua insistência em ignorar as previsões metereológicas (e mesmo assim tinhas razão - não choveu!)!
Conseguiste tranquilizar-me depois das horas desesperantes passadas naquele hospital cheio espanhóis.
Conseguiste suportar o lavatório cheio de meias mal cheirosas penduradas na casa-de-banho.
E isto já para não falar nas manhãs dolorosas provocadas pela vodka (ou foi pelo vinho branco? pelo Martini...?), das dores nos pés e dos escaldões nos braços.
Mas nem tudo foi mau, pois não? Sempre conhecemos o Rubinho, o Carlos, o 'Napoleão', o Capitão hehehehe... vimos Portugal ganhar em dois países diferentes, e, apesar de não gostares do Nuno Gomes, isso também não interessou muito quando o resultado foi a vitória (Portugal só não ganhou ontem, porque não vestimos a camisola!).
És uma querida! Agora é só planear a próxima!

Os melhores anfitreões das 'Englands'.
Nunca me tinha sentido tão bem em casa de amigos...
Sofia, parabéns pela tua casa! Como te disse, quando comprar a minha, contrato-te para minha decoradora pessoal! Adorei o teu 'cantinho' e estou ansiosa para que voltes a Portugal para poder ter o oportunidade de retribuir toda a hospitalidade e simpatia que nos deram.
Alan, You are the Man! ;)
Excelente guia, super paciente, incansavelmente bem disposto.

Obrigado aos três.
Amei do coração!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Férias!!!

Caros(as) leitores(as),

Pois é, cá estou eu em mais um piquete de centro comercial, uma “lufa lufa”, que hoje se prolonga até às 23H00 (parece ser só nestas alturas que tenho um tempinho para me dedicar à escrita).
Bom, é com imenso prazer que informo que irei estar ausente de Portugal nos próximos 15 dias – vou de férias!


O engraçado nos agentes de viagens (pensei seriamente em não generalizar, porque não sei ao certo se é defeito de todos os agentes de viagens ou se é só meu! O mais provável é que seja só meu…), é que “em casa de ferreiro espeto de pau”!
Confusos? É muito simples… Passo a vida a fazer reservas para os outros, para o mundo inteiro; passo a vida a incentivar ao sonho e convencer de que as Caraíbas é que são boas!

“Dengue no Brasil? Naaaa! É seguríssimo! Vá para o Brasil descansado, e até temos um promoção fantástica para Salvador, não encontra melhor!”
“Furacões na Tailândia? Que disparate! Isso é só lá para Dezembro ou Janeiro.”
“Não, em Cabo Verde não chove nesta altura, é óptimo para uns dias de praia!”

Enfim, é sempre a sugerir novos destinos, a pesquisar os voos mais baratos e os hotéis mais centrais. E eis quando chega a nossa vez...



Primeiro vou dismistificar uma série de mitos que vivem à volta desta maravilhosa actividade profissional:



- Epá, no turismo é que se ganha bem! - Pura mentira! Quem trabalha no turismo ou é um grande sonhador ou é um grande parvo! A verdade é que temos mesmo de gostar do que fazemos (nas várias áreas desta actividade), senão não compensa todo o esforço e trabalho que dá vender 'sonhos'.



- Epá (2), não custa nada, aquela gente passa a vida sentada atrás de um balcão e só vende viagens... - Só quem trabalha neste ramo é que sabe a quantidade de informação que nos passa diariamente pelas mãos. No meu caso especifico, convém estar atenta aos emails das companhias aéreas (novidades, promoções, aumentos de combustível, etc); temos também de passar os olhos sobre os email dos operadores (vendem isto, vendem aquilo, temos de encher este charter, vamos cancelar o outro charter); depois é quantidade de brochuras dos vários destinos que convém saber reservar e, cada destino ou cada operador tem uma determinada forma de se reservar; e um bom técnico não pode passar ao lado do domínio dos vários sistemas de reservas que, por sua vez, estão constantemente em actualizações, já sem falar nos procedimentos internos. No meio disto tudo, se a viagem não correr bem, 'cai tudo em cima de nós'!! Não é fácil.



- Epá (3), fartam-se de viajar à borla! - Primeiro, não nos fartamos de viajar... segundo, não viajamos à borla e as vantagens ou facilidades não assim tantas.



Resultado, quando chega a nossa vez de ir de férias, a nossa vez de marcar, já não há paciência, nem tempo para estar a escolher o hotel ideal ou o horário de voo melhor. É mais do género: "Este hotel é central, certo? Então pronto, está decidido!", "Tenho de ficar duas horas no aeroporto à espera de ligação? Opá, não faz mal, reserva-se já este que o que eu quero mesmo é sair daqui!".



E assim se resume a marcação de uma viagem de um agente de viagens, que, quatro dias antes de estar a embarcar, ainda está a ver qual o hotel onde irá ficar em Madrid!!



Darei notícias...

JD

segunda-feira, 19 de maio de 2008

elogio à Banana por Ferreira Fernandes

Caros leitores,

É com um grande sorriso que vejo que, apenas com uma semana de vida, já tenho alguns leitores assiduos do meu blog. Como já referi, já há muito tempo que não escrevia e, principalmente, diários (creio que a ideia original do blog são os "diários virtuais", certo?) - confesso esta ideia de diários até me assustam um pouco nos dias de hoje... só a ideia de manter um compromisso de escrever, de ler, etc, já é complicada! E se for um compromisso diário ainda pior!
Por isso só espero realmente conseguir manter, isso sim, uma assiduidade relativa ao escrever pelo menos uma vez por mês neste blog - esta foi a minha promessa inicial e este mês já a cumpri! Como sabemos, o trabalho, o ginásio e a vida social rouba-nos muito tempo. Vai ser uma promessa dificil de cumprir, principalmente quando já se sonha com umas férias longe de Portugal, sem computadores, sem televisão e, sobretudo, sem telemóveis.

Bom, desta vez não vou escrever nada meu... vou apenas apresentar um texto que achei 'hilariante' e bastante cómico do jornalista Ferreira Fernandes.

E não é que ele até tem razão?

"Por causa do preço do petróleo subiu o dos vegetais e estes tornaram-se vedetas dos noticiários. Nunca se falou tanto do arroz ou do milho. Esta crónica serve para cumprir uma gratidão: apesar da actual notoriedade dos outros, há um alimento agrícola que continua no anonimato. Pior, quando se fala dele ou é com malicioso piscar de olho ou é com desprezo. Falo evidentemente da banana. Da banana que serve de letra para Quim Barreiros ou para classificar repúblicas indignas. E, no entanto, com o arroz, o milho e o trigo, a banana é o quarto espadachim dos alimentos mosqueteiros que matam a fome ao mundo.Também eu não dava por ela, a banana. Ansiava por Maio ou Setembro, quando os barcos que aportavam em Luanda me traziam cerejas ou uvas (em cestos com a fruta acamada em folhas de videira); ansiava por Dezembro, quando subia à mangueira do quintal para encher os dentes de fios e a boca de prazer. E da banana, quando? Não sei pela mesma razão que não se diz que a época do ar está a chegar. Comi bananas como se respira, sem dar por ela. Cinquentão, estou nas minhas 15 mil bananas.Quando eu era garoto, havia uma colecção chamada "Ídolos do Desporto". Biografias quase sempre de futebolistas. Não se sei se Koczis ou Czibor ou Puskas, um desses húngaros da equipa mágica de 1954 que desertaram para Espanha, um deles. Na biografia, contava-se que a ele, chegado a Espanha, ofereceram uma banana. Apalpou a casca fina, equiparou-a a maçã ou pêssego e mordeu tudo. Foi aí que me dei conta que a banana era, por ser rara ou mesmo insólita para alguns, alguma coisa mais do que uma presença certa.Continuei a comê-la como sobremesa, seca e do vale da Catumbela como guloseima, plátano, grande e frita, para acompanhar pratos com azeite de dendém, sem dar por ela. No meu bairro ela era dos raros bens democráticos. Quando eu ia futebolar em campos de brinca-na-areia que viram nascer Jacinto João, José Maria, Dinis, Conceição e eu próprio (sendo que eu próprio, ao contrário dos outros, sou o único que se lembra disso), a banana era o alimento energético trivial. Na minha casa ela entrava em cacho; nas estradas para o mato, eu via gente descalça a comê-la. Em Portugal desglobalizado, antes e logo a seguir ao 25 de Abril, ela foi fruto de luxo. Mas as coisas recompuseram-se, tornamo-nos um país comum e as bananas democratizaram-se. Hoje, no mercado, está a um euro o quilo, a metade e a um quinto dos morangos e cerejas, frutas da época. A banana não nos preocupa e, por isso, não falamos dela. Já a Bíblia não falou. Preferiu criar a fama de outro fruto, menos universal, fazendo-o proibido. Hoje, para se falar de um atributo masculino bíblico, diz-se "maçã de Adão". É irónico e tudo para esconder a banana."

:)

domingo, 18 de maio de 2008

Instituições de solidariedade social alvo da ASAE

Pois é, creio que a ASAE (Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica) está mesmo na moda.
Não querendo ser extremista, às vezes, as atitudes que lemos com cada vez mais frequência no Expresso ou no Público, da ASAE, fazem-me lembrar a PIDE.
Não sei bem porquê (se calhar porque ainda não me debrucei bem sobre este assunto), mas parece-me que as inspecções desta Autoridade baseiam-se numa ‘política do medo’.
É que agora parece que qualquer actividade é sujeita a constantes fiscalizações da ASAE e, mais recentemente, até as Instituições de Solidariedade não escapam!
O que acaba por ser deveras interessante é que as instituições de Solidariedade não têm qualquer fim económico…
Será correcto todo este rigor que permite fiscalizar estas instituições? “Ah e tal, porque temos de ver se os alimentos estão fora de prazo, não podemos correr o risco de estarmos a dar aos pobres sem-abrigo arroz agulha de 2007!!” Agora pergunto eu: as próprias instituições não deveriam ver se os alimentos que estão a ser distribuídos a quem realmente precisa estão ou não em condições? Custa-me a acreditar que andem a distribuir alimentos ou outros bens essenciais sem qualquer condição de consumismo.
Não estará a ASAE a abusar do poder que lhes foi atribuído? Eu acho que sim e é neste sentido que digo que se parece mais com a PIDE.

Ainda sobre este assunto, li que “os agentes proíbem as instituições de aceitar alimentos dados pelas populações, exigem os mesmos requisitos aplicados às cozinhas de um restaurante, e estão a deitar fora comida congelada em arcas normais.”

Agora sim estou baralhada… não é suposto ajudar e dar 1Kl de arroz aqueles jovens do Banco Alimentar?

Acho que a ASAE é uma autoridade que abusa do poder e que tem um excesso de zelo e que leva o próprio Paulo Portas a incentivar ao bom senso (nunca pensei poder partilhar a mesma opinião que o Portas! Estou abismada!!).

Outra situação que me faz confusão é a obrigatoriedade de certas empresas de fabrico caseiro, que funcionou desde sempre, sem qualquer problema, ter de encerrar as portas, porque não têm forma (a nível económico) de modificar a sua confecção para que vá de encontro às normas europeias. Imaginamos agora uma pequenita fábrica que deixa de fabricar os famosos pastéis de Tentúgal!! É que para além de destruir o sustento de uma família, vai deixar muitas saudades aos nossos queridos estômagos.

Mas nem tudo está perdido! Já li algures que a ASAE já se justificou com tanto abuso e, como até são uma entidade jovem, é natural que se cometam erros e até estão dispostos a analisar os erros cometidos.
Ora eu até compreendo que haja uma entidade que regule e fiscalize determinadas áreas para evitar o encontro de pequenas baratinhas a nadar no copo de sangria ou que os empregados de mesa usem um avental lavado (afinal os olhos também comem!) ou até que possamos ter casas de banho apresentáveis nos estabelecimentos públicos. No entanto, conseguiram transformar esta ideia num fundamentalismo sem precedentes e agora até corremos o risco de nos tirarem alguma identidade nacional.

Por este andar, a ASAE vai mesmo transformar-se na PIDE do século XXI e tornar a nossa querida liberdade, uma liberdade condicionada pelo medo.

JD